Rascunhos

Eu coleciono amores e frases desfeitas como se o mundo fosse acabar. Junto lápis e folhas em branco sempre com a certeza de que nenhuma palavra vai bastar. Eu tenho sóis e girassóis me guiando pelo escuro da noite. Vejo pássaros, morcegos e fantasias me despirem em cada nota dó. Mas se as folhas estão em branco, se os lápis estão sobre a mesa e as frases desfeitas, me pergunto que tipo de amor sobrevive em tom de nostalgia. Bobagem minha. Amores perfeitos têm palavras quebradas e versos sem rima de pura poesia.

Que nenhum coração sonhador se engane: alegria sempre vem com prazo de validade e às vezes é tão curto que a gente vive assim, num sopro só. Ou talvez isso seja apenas a vida, essa coisa feita de sussurros e redemoinhos, que obriga a gente a cantar todas as canções com apenas uma nota Dó.

Que nenhum coração sonhador se engane: alegria sempre vem com prazo de validade e às vezes é tão curto que a gente vive assim, num sopro só. Ou talvez isso seja apenas a vida, essa coisa feita de sussurros e redemoinhos, que obriga a gente a cantar todas as canções com apenas uma nota Dó.

A sky full of stars

Eu acho que tem algo de mágico na vida. Algo de misterioso que nenhum cientista conseguiu decifrar ainda. Acho que as estrelas do céu olham pra terra e, apaixonadas, brincam de contar humanos. E de vez em quando, quando elas estão distraídas, passa um humano-cadente. Aí elas fecham seus olhos e fazem um pedido. O problema é que todos os humanos são cadentes. E se todos os humanos estão caindo, o que será de todas as estrelas do céu?

Not good enough

Já faz dias que não consigo dormir direito. Abro as janelas do meu quarto através das paredes frias e conto todas as estrelas do céu. Passam dezenas, centenas, milhares delas, mas nada faz passar essa vontade. Deito e levanto como se estivesse devendo alguma coisa ao mundo, como se algo estivesse incompleto na minha existência.

Eu saio de casa e tento entender todas as outras existências. Todo o cosmo e microcosmo de sonhos desfeitos que nos acordam no meio da madrugada como se fosse a hora do almoço. Eles me cobram a dívida que fiz comigo há tempos, me cobram a coragem que nunca tive. Cobram a sinceridade e a fé que em algum momento eu perdi. Me cobram mais do que eu posso dar e talvez por isso eu tenha desistido - porque eu não sou suficiente. Eu não me basto para os meus sonhos.